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As 8 maiores viradas da Libertadores na história

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As 8 maiores viradas da Libertadores na história

Um gol aos 44 minutos, uma defesa impossível ou uma goleada que ninguém projetava: as maiores viradas da Libertadores são parte da razão pela qual a competição mobiliza tanto o torcedor brasileiro. Na Copa, uma vantagem construída no primeiro jogo nunca parece totalmente segura. E, em finais de partida única, poucos minutos podem trocar festa, desespero e taça de lado.

Não existe uma régua absoluta para organizar esse tipo de lista. Há viradas por placar agregado, decisões resolvidas nos pênaltis e reações dentro de uma final. O peso do jogo, o tamanho dos clubes e o roteiro dramático ajudam a explicar por que alguns confrontos atravessaram décadas. A seguir, o Todo Dia Esporte relembra oito reviravoltas que marcaram a história do torneio.

As maiores viradas da Libertadores em confrontos eliminatórios

River Plate 8 x 0 Jorge Wilstermann – 2017

Poucas noites resumem tão bem a imprevisibilidade da Libertadores quanto a de Buenos Aires em 2017. Nas quartas de final, o River Plate tinha perdido por 3 a 0 para o Jorge Wilstermann, da Bolívia, no primeiro duelo. A classificação argentina parecia distante, principalmente porque o adversário havia aberto uma margem larga e surpreendente.

No Monumental de Núñez, porém, o River transformou a desvantagem em atropelo. Ignacio Scocco marcou cinco vezes na vitória por 8 a 0, resultado que fechou o agregado em 8 a 3. Não foi apenas uma virada: foi uma demonstração de força que entrou para a lista das maiores goleadas de um mata-mata da competição.

O episódio também mostra um detalhe recorrente da Copa. Uma diferença confortável no primeiro encontro pode ruir quando um gigante sul-americano joga em casa, empurra o rival desde o início e encontra um gol cedo. Depois que a confiança muda de lado, o placar pode ganhar proporções improváveis.

River Plate 3 x 0 Cruzeiro – 2015

O Cruzeiro saiu do Mineirão com vitória por 1 a 0 sobre o River Plate nas quartas de final de 2015 e carregava uma vantagem importante para a Argentina. O time mineiro, então comandado por Marcelo Oliveira, havia feito um jogo competitivo e tinha motivos para acreditar em uma vaga na semifinal.

A resposta do River foi avassaladora. Em pouco mais de 20 minutos, os argentinos fizeram três gols, com Carlos Sánchez, Maidana e Teófilo Gutiérrez, e decidiram a classificação ainda no primeiro tempo. O 3 a 0 mudou o agregado para 3 a 1 e deixou o Cruzeiro sem espaço para reagir.

A queda foi dolorosa pela rapidez com que aconteceu. Em mata-mata continental, administrar uma vantagem não significa apenas se defender. Quando o adversário encontra ritmo, recuperar controle emocional e tático vira uma tarefa tão difícil quanto marcar um gol fora de casa.

Atlético-MG 2 x 0 Newell’s Old Boys – 2013

A campanha do Atlético-MG rumo ao título de 2013 foi construída em noites de pressão máxima. Na semifinal, o time de Cuca perdeu por 2 a 0 para o Newell’s Old Boys, na Argentina, e precisava repetir o placar no Independência para levar a decisão aos pênaltis.

Bernard abriu o caminho no primeiro tempo. A tensão aumentou a cada ataque desperdiçado, até Guilherme marcar o segundo gol já aos 44 minutos da etapa final. O estádio explodiu, o confronto foi para os pênaltis e o Atlético avançou após vencer por 3 a 2.

Essa virada tem um lugar especial porque não foi uma goleada nem uma reação com amplo domínio durante 180 minutos. Foi sobrevivência. O Atlético pressionou, sofreu com o relógio e achou o gol que mantinha o sonho vivo quando a eliminação parecia praticamente selada.

Flamengo 2 x 0 Emelec – 2019

Em 2019, antes da campanha que terminaria com a taça, o Flamengo viveu uma noite de enorme cobrança no Maracanã. O time havia perdido por 2 a 0 para o Emelec, no Equador, pelas oitavas de final. Para avançar, precisava vencer pelo mesmo placar e encarar os pênaltis, ou construir uma vantagem ainda maior.

Gabriel Barbosa marcou os dois gols rubro-negros, um em cada tempo, e igualou o confronto. Nas penalidades, Diego Alves defendeu cobranças decisivas, enquanto o Flamengo confirmou a classificação por 4 a 2.

O resultado ganhou ainda mais peso meses depois, quando o clube conquistou a Libertadores. Aquele duelo contra o Emelec funcionou como um teste de maturidade para uma equipe ofensiva, badalada e pressionada a transformar qualidade técnica em resultado nos jogos grandes.

Viradas que decidiram finais da Libertadores

Santos x Boca Juniors – a reação de 1963

O Santos de Pelé já era campeão da América quando encarou o Boca Juniors na final de 1963, mas defender o título exigiu uma reação de campeão. Os argentinos venceram o primeiro jogo por 3 a 2, em La Bombonera, e colocaram o time brasileiro sob pressão para o duelo de volta.

No Maracanã, o Santos respondeu com vitória por 2 a 1. Como o regulamento da época previa uma partida de desempate, os clubes voltaram a se enfrentar, novamente no Rio de Janeiro. O Santos venceu por 2 a 1 e ficou com o bicampeonato continental.

A final é lembrada pela dimensão dos elencos e pelo choque entre duas camisas gigantes. Mais do que reverter uma derrota, o Santos precisou suportar uma série de três jogos para confirmar sua hegemonia sul-americana em uma era muito diferente da atual.

Estudiantes 2 x 1 Cruzeiro – 2009

O Cruzeiro chegou a La Plata com um empate por 0 a 0 obtido no Mineirão e abriu o placar na final de volta. Henrique acertou um chute de fora da área no início do segundo tempo, colocando os mineiros em uma posição excelente para conquistar o tricampeonato.

A reação do Estudiantes foi imediata. Fernández empatou, e Boselli virou poucos minutos depois. O 2 a 1 deu o título aos argentinos e deixou a sensação de que a decisão mudou de rumo em um intervalo curtíssimo.

É uma das viradas mais duras para o torcedor porque aconteceu no maior palco possível. Em final, não há jogo de volta para corrigir erros, recuperar confiança ou se reorganizar. Uma sequência de ataques bem executados basta para transformar uma festa planejada em frustração.

Flamengo 2 x 1 River Plate – 2019

Se a lista considera drama, a final de 2019 é obrigatória. O River Plate vencia o Flamengo por 1 a 0 desde os primeiros minutos, controlava os espaços e parecia perto de repetir a conquista continental. O time carioca tinha posse de bola, mas encontrava dificuldade para criar chances claras em Lima.

Aos 44 minutos do segundo tempo, Gabigol empatou após jogada de Bruno Henrique e Arrascaeta. Antes que o jogo fosse para a prorrogação, o atacante aproveitou uma falha da defesa argentina e marcou de novo, aos 47. Em três minutos, o Flamengo saiu da derrota para o título.

A dimensão da cena explica por que ela se tornou uma das imagens mais fortes da história recente do futebol brasileiro. Foi a primeira final em jogo único da Libertadores, com dois dos elencos mais fortes do continente e uma virada construída no último suspiro.

Grêmio 2 x 1 Palmeiras – 2019

A disputa entre Grêmio e Palmeiras, nas quartas de final de 2019, teve uma virada menos espalhafatosa, mas muito relevante. O Palmeiras venceu por 1 a 0 em Porto Alegre e parecia ter dado um passo importante para avançar. No Pacaembu, no entanto, o Grêmio mudou o cenário.

Luiz Adriano abriu o placar para os paulistas, mas Everton Cebolinha empatou ainda no primeiro tempo. Na etapa final, Alisson fez 2 a 1. O agregado terminou em 2 a 2, e o Grêmio avançou pela regra do gol fora de casa, então válida na competição.

O confronto reforça que virada não precisa ser sempre uma recuperação de dois ou três gols. Às vezes, ela está em inverter uma vantagem mínima, resistir fora de casa e encontrar o resultado necessário em um contexto de regulamento que aumenta cada detalhe.

Por que essas reviravoltas nunca saem da memória?

A Libertadores valoriza o contexto tanto quanto o placar. Uma defesa em pênalti pode ter o mesmo peso de uma goleada. Um gol no fim de uma final pode superar, em impacto emocional, uma classificação construída com tranquilidade. Por isso, comparar épocas exige cuidado: os regulamentos mudaram, a decisão por gol fora de casa deixou de existir e a final passou a ser em jogo único.

Ainda assim, o ponto comum é claro. As grandes viradas nascem quando um time se recusa a aceitar o roteiro que parecia pronto. Para o torcedor, é esse tipo de noite que mantém a promessa da Copa viva: enquanto houver tempo no relógio, a Libertadores nunca está decidida.

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Todo Dia Esporte